Gil Vicente na Atualidade

           Ao lermos o “Auto da Barca do Inferno”, é possível vermos como era a sociedade na altura, mas não só. Com este auto, Gil Vicente critica sem piedade os vários males da sociedade da altura. Acredito que, para quem tenha visto a peça em primeira mão, tenha sido escandaloso ver este tipo de crítica com uma pitada de ironia ser feita tão livre e abertamente. Com esta peça, não só é possível rir-se devido à natureza das personagens, como aprender alguma coisa.

         Eu penso que, nos dias de hoje, certas situações ainda se aplicam na sociedade atual. Citando o meu professor de português: “Vejo Gil Vicente todos os dias no telejornal.” Eu concordo parcialmente. Na obra, foram retratadas situações, como a do Corregedor e do Procurador, que podiam acontecer (e acontecem) nos dias de hoje e quase sempre vão parar ao telejornal. Outro exemplo de situação retratada no auto, que eu acho que vale a pena referir, é a do Enforcado. É uma coisa que, se não tivermos cuidado, pode acontecer a qualquer um. Ele deixou-se persuadir pelas “tretas” de Garcia Moniz, não deu ouvidos  aos seus valores pessoais e, quando se apercebeu, que tinha sido enganado, já tinha desperdiçado uma vida inteira. Eu sinto que esta cena também pode ser adaptada, tendo em conta a nossa realidade.

         Em suma, temas como a corrupção, a traição, a prostituição, enganar e aproveitarmo-nos de pessoas, desprezar os outros e sermos levados por outros caminhos são, ainda, “pecados” presentes na nossa sociedade e, claro, podemos aprender muito com Gil Vicente.

LC